quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Que tudo se realize!

Caros amigos,
que tenhamos nesta nova temporada muita saúde para lutar pelos nossos objetivos e que eles possam ser concretizados, na medida do (im) possível.
Muito obrigado pelos acessos e companhia virtual neste ano que daqui a poucas horas findará.
Em tempo: para bater um papo comigo depois da meia noite, basta ligar para:
Lembrando que na região Nordeste não há horário de verão, o que significa dizer que por aqui, estaremos em 2009 uma hora depois do que sulistas e sudestinos.
Um feliz Ano-Novo a todos nós!
AMOR PRA RECOMEÇAR
Composição: Roberto Frejat

Eu te desejo não parar tão cedo
pois toda idade tem prazer e medo
e com os que erram feio e bastante
que você consiga ser tolerante
Quando você ficar triste
que seja por um dia e não o ano inteiro
e que você descubra que rir é bom
mas que rir de tudo é desespero

Desejo que você tenha a quem amar
e quando estiver bem cansado
ainda exista amor pra recomeçar,pra recomeçar

Eu te desejo muitos amigos
mas que em um você possa confiar
e que tenha até inimigos
pra você não deixar de duvidar
Quando você ficar triste
que seja por um dia
e não o ano inteiro
e que você descubra que rir é bom
mas que rir de tudo é desespero

Desejo que você tenha a quem amar...

Desejo que você ganhe dinheiro
pois é preciso viver também
e que você diga a ele pelo menos uma vez
quem é mesmo o dono de quem...

Desejo que você tenha a quem amar...


terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Na Barra

Foto: Beto Slomka


Passarei a virada do ano na casa do meu amigo Renato Santarém, na Barra. Em 2007, ele renunciou ao convívio da família na entrada de 2008, para passar o réveillon com os meus parentes e comigo, no Rio Grande do Sul. Desta vez, farei a retribuição, mais como uma grande satisfação e alegria, do que como uma mera obrigação.
Em seguida, o objetivo é me juntar as cerca de 500 mil pessoas que são esperados nas proximidades do famoso Farol, na expectativa de curtir o som da "madrinha do samba", Beth Carvalho, da maravilhosa intérprete baiana Mariene de Castro e da orquestra Rumpilezz, que consegue o feito inusitado de misturar Candomblé com jazz.
No dia 1º de janeiro, o negócio é tomar um bom banho de mar para recuperar as energias e entrar em 2009 com muita paz no espírito.
Este ano de 2008 foi de alguns desacertos, sim, mas, sobretudo, de memoráveis conquistas.
Eu vejo a vida melhor no futuro.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Mãos - um clássico do samba de Almir Guineto, sempre atual.


Composição: Almir Guineto/Simões PQD/Carlos Senna

Mãos, se rendem
Pra outras que tudo levam
Quase em extinção
Mãos honestas, amorosas
Em nossas pobres mãos
Que batem as cordas
Pago pra ver
Quei...mar em brasa
As mãos de bacharéis
Que não condenam o mal
Que inocentam reús
Em troca do vil metal
As mãos de bacharéis
Que não condenam o mal
Que inocentam reús
Em troca do vil metal
Mãos de infiéis
Revés que não contentam
Movendo a diretriz tão fraudulenta
Sem réu e sem juiz
Mãos não se acorrentam
Justiça põe as mãos na consciência
Ato que fez Pilatos
Lavando suas mãos
É o mesmo que injustiça
feita com as próprias mãos
As mãos que fracassaram
Na torre de Babel
Porque desafiaram
As mãos do céu

Mais do mesmo

Foto: Henrique Vicente

E como o que já era ruim sempre pode ficar pior, a prefeitura de Salvador autorizou o aumento de 10% no preço da tarifa do transporte público municipal. Isso significa dizer que os soteropolitanos já começarão 2009 pagando mais caro por um serviço que continua deficitário em todos os aspectos. A partir de 1º de janeiro, pagaremos R$ 2,20, em vez dos R$ 2 atuais.

Os fdp do Setps (Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Salvador), ou seria (Se Estribuchou Tu Pobre Soteropolitano?) reivindicavam um reajuste de 22,5%, o que elevaria a tarifa para R$ 2,45, mas acabaram concordando com a Setin (Secretaria Municipal de Transportes e Infra-Estrutura) e diminuíram a cobrança abusiva.

Eu sempre me divirto é com as explicações dos representantes das empresas e desses órgãos públicos (ir) responsáveis numa situação como essa. Eles argumentam que a passagem não sofria aumento desde janeiro de 2007, quando era de R$ 1,70 e passou a ser de R$ 2. Sim, caras pálidas, mas ninguém levou em consideração que a remuneração dos habitantes de Salvador cresceu abaixo da média nacional neste período, sem esquecermos que a falta de qualidade do nosso sofrível "humilhante", como bem define o antropólogo itapagipano Roberto Albergaría ainda impera.

Ao menos, fiquei alegre ao saber que a Associação Metropolitana de Usuários de Transportes Públicos (Amut) irá elaborar um documento nesta terça-feira, 30 de dezembro, que servirá como uma representação no Ministério Público Estadual (MPE-BA) contra a medida.

Alô MPE, intercedai por nós!!!

Prefeito brincalhão

Foto: Diogo Figueira

"Na orla de Salvador existem trechos que estão de fazer vergonha. Eu não levo turistas a determinados locais da orla. A orla de Salvador parou no tempo".


Do prefeito de Salvador, João Henrique (PMDB), em entrevista ao jornal Correio da Bahia, deste domingo, 28 de dezembro. JH deve ter memória curta ou não tomou o chá de simancol, afinal, foi na sua gestão, por meio do 'inesquecível' Arnando Lessa, ex-secretário municipal de Serviços Públicos, que a orla intensificou o seu estado de deteriorização. Como já é de praxe, a culpa é da "herança maldita"...


Mas, rapaz! É cada uma! Todo o cinismo é pouco.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Um Feliz Natal!

Foto: Guilherme Kardel


Prezados amigos,
que todos vocês possam gozar de um Natal repleto de momentos de reflexão, alegria e muita paz!
São os votos de sinceridade do amigo,
Murilo Gitel

Dois Rios



Composição: Lô Borges, Nando Reis e Samuel Rosa.

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão

O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos

Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão

O sol se põe se vai
E após se pôr
O sol renasce no Japão

Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz a vida ouvi dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

E o meu lugar é esse
Ao lado seu, meu corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios Sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão

O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos

Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Reflexões sobre o blog

Este blog completará dois anos e cinco meses no mês de janeiro de 2009. Considero um verdadeiro feito, levando-se em consideração que durante a maior parte desse tempo sequer dispus de computador com internet. Mesmo assim, acredito que consegui mantê-lo atualizado com relativa regularidade, sempre com o objetivo de oferecer um conteúdo de qualidade para os internautas.

Fiz com que este espaço sofresse mudanças com o tempo, a fim de acompanhar as tendências e ampliar o número de leitores. O primeiro nome foi “Pensamentos Soltos”, com um layout azul escuro. Posteriormente, dei o meu nome ao blog, mas alterei o design gráfico, ao adotar uma cor amarelada, em uma interface bem rústica. Nessa época, o endereço ainda era o ventanias.blog.terra.com.br


Interface antiga do blog, ainda no portal Terra

No decorrer de 2008, decidi trocar tanto de provedor (Terra para Blogspot), quanto novamente de interface, que é justamente esta que vocês vêem agora, embora seja bem semelhante àquela em que o blog estava hospedado pelo Terra. Com essa troca, apostei num conteúdo mais multimidiático e, portanto, ilimitado. Ganhei mais opções de postagens em áudio e vídeo, e o resultado veio nos índices quase que dobrados de acessos.

Se eu pudesse destacar um momento que demarcasse o crescimento deste blog em 2008, destacaria o episódio das trocas de farpas com a ex-coordenadora do curso de Comunicação Social da UniJorge. Ela reprovou um post que fiz repercutindo a crise do curso de jornalismo entre os alunos do sexto e do sétimo semestre noturno, que reprovaram a aprovação que ela fez de uma grade semestral monstruosa, com oito disciplinas, sem falar nas aulas com as junções de turma, em que tínhamos cerca de 60 alunos na sala de aula e rendimento zero. Ela ameaçou me processar, porque neguei a ela um direito de resposta, mas não o fez, porque não teve peito e sabia que iria perder. Acabou desligada da instituição. A polêmica renderia centenas de acessos e mais de 80 comentários.

Meu colega e amigo Alex Jordan firmou-se como colunista semanal assinando “Eu Mereço”, onde as crônicas urbanas quebram o meu estilo textual sério e muitas vezes chato demais. Ele, inclusive, está adquirindo uma câmera digital nos próximos dias. A partir de então, cairemos no mundo a fim de fazer as reportagens que fará este blog muito mais atraente a partir de 2009, ano em que ele completa três anos na internet. As edições ficarão a cargo da competente Daiane Sales – uma espécie de “guria prodígio” da UniJorge.

Vida pessoal e interesse público

Muitas pessoas me enviam emails questionando o fato de eu praticamente não falar de mim, de minha vida pessoal no blog. Sinceramente, a minha proposta não é essa. Um espaço como este, pode ser sim um diário virtual e ele já é usado por milhares de pessoas que se sentem bem falando de si para os internautas, tornando públicos aspectos pessoais de suas vidas.

Não cabe a mim nem a ninguém julgar quem faz essa opção. Mas o meu objetivo é outro. A meta aqui é divulgar um conteúdo de interesse público, mesmo quando esporadicamente eu faça parte dele. Eu não exponho nem a mim, tampouco as pessoas que convivem comigo porque não vejo necessidade para tal. Não preciso disso para me sentir melhor, mas, como futuro jornalista, preciso fazer algo, por mais simples e imperfeito que seja, a fim de oferecer um conteúdo que não seja supérfluo e vão.

É por isso e para isso que eu escrevo.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

"Bahia que não me sai do pensamento"

Foto: Leto Carvalho


Alguns familiares e amigos têm me lembrado, ultimamente, que se aproxima o dia 15 de janeiro, quando completo cinco anos morando na Bahia. Eles me perguntam se escreverei algum texto referente a este tempo em que deixei [sem deixar] o Rio Grande do Sul, minha terra natal, para migrar rumo a Salvador. Respondo que sim, que já estou trabalhando nesta crônica especial, que deverei intitular "A Bahia também me deu régua e compasso".

Será uma homenagem bem singela e muito aquém da importância que esta terra e o povo baiano tem para a minha vida. Aqui, as portas para as minhas primeiras realizações foram abertas como em nenhum outro lugar e eu me sinto como um filho adotado, mas muito querido por esta cidade-mãe e por este Estado pai.
Em tempo: já cheguei por aqui em um dia muito especial, justamente na festa do Nosso Senhor do Bonfim (ou seria Oxalá? Ou ambos?).

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Ódio compreensível


De acordo com o historiador, jornalista e escritor André Gattaz, o repórter iraquiano Muntazer al-Zaidi, que protagonizou a cena das sapatadas no presidente norte-americano George W. Bush neste domingo, 14 de dezembro, foi sequestrado e torturado em novembro de 2007, por pessoas não identificadas que lhe interrogaram sobre sua atividade profissional. Os criminosos/terroristas teriam sido soldados do exército dos Estados Unidos. Segundo o site Repórteres Sem Fronteiras, 222 jornalistas e assistentes foram assassinados desde o início da invasão comandada por Bush.
Leia também:

domingo, 14 de dezembro de 2008

Contra os canhões de Bush, sapatos.



Jogar sapatos em alguém é considerado uma ofensa grave para os muçulmanos. Pois foi exatamente o que um repórter iraquiano fez neste domingo, 14 de dezembro, contra ninguém menos que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush - que resolvera fazer uma visitinha surpresa ao país, antes de entregar o mandato a Barack Obama. Por pouco os arremessos não acertaram o nariz do titio ianque. Afinal, "fé cega, faca amolada". Ou seria: "fé cega, sapatos atirados"?

Perseguida pela Igreja Universal do Reino de Deus, Elvira Lobato ganha o Esso de Jornalismo 2008


"Eu recebo esse prêmio como um desagravo. Esta reportagem foi alvo de 105 processos, que geraram um ônus financeiro para a Folha e um grande desgaste emocional. Eu dedico o prêmio a todos os jornalistas, porque a liberdade de imprensa é o oxigênio do jornalismo e aquela série de ações judiciais é uma ameaça a ela”, desabafou Elvira Lobato, ganhadora do Prêmio Esso 2008, ao relembrar a reportagem Universal chega aos 30 anos com império empresarial, publicada em 15 de dezembro de 2007.

Fátima



Composição: Renato Russo e Fê Lemos

Vocês esperam uma intervenção divina
Mas não sabem que o tempo agora está contra vocês
Vocês se perdem no meio de tanto medo
De não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender
E vocês armam seus esquemas ilusórios
Continuam só fingindo que o mundo ninguém fez
Mas acontece que tudo tem começo
Se começa um dia acaba, eu tenho pena de vocês
E as ameaças de ataque nuclear
Bombas de neutrons não foi Deus quem fez
Alguém, alguém um dia vai se vingar
Vocês são vermes, pensam que são reis
Não quero ser como vocês
Eu não preciso mais
Eu já sei o que eu tenho que saber
E agora tanto faz
Três crianças sem dinheiro e sem moral
Não ouviram a voz suave que era uma lágrima
E se esqueceram de avisar pra todo mundo
Ela talvez tivesse um nome e era: Fátima
E de repente o vinho virou água
E a ferida não cicatrizou
E o limpo se sujou
E no terceiro dia ninguém ressuscitou

O chato do Otávio (entrando numa) Frias Filho deveria ter lido esses caras...


O "Otavinho" de Roberto Pompeu de Toledo, também conhecido como "cara de coruja" e "boneco tucano".

Quando o herdeiro da Folha de S.Paulo Otávio Frias Filho escreveu "Ensaios de Risco", mais precisamente o texto referente a perturbação que a poligamia causava em seu "ser existencial", certamente ele esqueceu de ler os expoentes do Gonzo Jornalismo brasileiro: André Pugliesi e Rodrigo Abud. Do contrário, escreveu um ensaio extremamente chato porque quis [ou porque está acostumado].
O blog Jornalista de Merda - sensação em Curitiba - é um verdadeiro tapa na cara de uma imprensa que finge ser imparcial e idônea. Os caras são bons mesmo. Leiam as aventuras destes dois discípulos exemplares de Hunter Thompson num clube de swing:
"É impossível delimitar o perfil dos freqüentadores. Gilberto Freyre ia curtir. Um mix variadíssimo de pessoas de todas as classes, credos, cores e libertinagem à flor da pele. Comprovando toda essa miscigenação maravilhosa desse povo alegre do Brasil. Tem aquela sua vizinha bem apessoada, tem a tia da cantina, o professor de História, a patricinha, o empresário, tem secretária (e como tem), toda a sorte de barangas, gostosas, galãs e tiozões barrigudos para todos os gostos e idades. Deixe o preconceito de lado e creia, o swing não é uma prática para pervertidos em busca de satisfazer uma sanha sexual, e sim uma opção de pessoas absolutamente convencionais" LEIA MAIS

sábado, 13 de dezembro de 2008

Casamento: Gibran escreve sobre o tema à Mary Haskell em 1923


Boston, 26/27 de maio de 1923.
Amada Mary,
O casamento não permite a ninguém escravizar o outro - exceto naquelas áreas onde você se permite ser subjugado. Tampouco dá outra liberdade além daquela que você resolveu permitir. Só podemos receber aquilo que damos.
Para as pessoas inteligentes, a base do casamento é uma genuína amizade, onde se luta pelos próprios sonhos e os sonhos da pessoa a quem se ama. Sem estes sonhos, a relação matrimonial se reduz a uma série de almoços e jantares na cozinha da casa...
Não existem duas almas iguais. Na amizade e no amor os dois levantam as mãos juntos para agarrar uma coisa que não poderiam alcançar se estivessem separados.
A velha frase da cerimônia do matrimônio: "Você recebe fulano de tal, na saúde ou na doença", etc. - é totalmente absurda. Como alguém pode receber o outro? Um dos dois estaria deixando de existir - ou, melhor ainda, os dois juntos perderiam sua própria identidade.
Com amor,
Khalil
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Complemento com excerto de "O Profeta":

ALMITRA falou de novo e disse: - Mestre, que pensais do Casamento?
Ele respondeu, dizendo: - Nascestes juntos, juntos ficareis para sempre. Ficareis juntos quando as asas brancas da morte dispersarem os vossos dias. Sim. Ficareis juntos até na silenciosa memória de Deus. Mas que haja espaço na vossa comunhão; e que os ventos do céu dancem no meio de vós.
Amai-vos um ao outro, mas não façais do amor um empecilho: seja antes um mar vivo entre as praias das vossas almas. Enchei cada um o copo do outro,mas não bebais por um só copo. Partilhai o pão; mas não comais do mesmo bocado. Cantai e dançai juntos, sede alegres; mas permaneça cada um sozinho, como estão sozinhas as cordas do alaúde enquanto nelas vibra a mesma harmonia.
Dai os vossos corações; mas não a guardar um ao outro, porque só a mão da Vida pode conter os vossos corações. Mantende-vos juntos, mas nunca demasiado próximos: porque os pilares do templo elevam-se, distanciados, e o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro...


sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Um trio nota dez, Estrada Velha do Aeroporto e o ''fazer jornalístico"

Foto: Kleyzer Seixas/Agência A Tarde

Os graduandos em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela UniJorge André Frutuoso, Carlos Eduardo Freitas e André Luís Gomes fizeram um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) digno da nota dez que receberam da banca de examinadores, na noite desta quinta-feira, 11 de novembro.

O livro-reportagem "Histórias de EVA" é uma grande reportagem a respeito de uma das regiões mais paradoxais de Salvador. Assolada pelo drama da violência urbana, a Estrada Velha do Aeroporto e os bairros do seu entorno são muito mais do que somente o desespero dos chamados toques de recolher, e é exatamente este ponto que eu quero ressaltar. Os meios de comunicação aqui da capital baiana tem o péssimo hábito de só retratar as tragédias sociais do lugar, deixando de lado os aspectos culturais e os projetos que visam transformar essa difícil realidade.

Quantas pessoas sabem que a origem da Estrada Velha do Aeroporto foi motivada pelos conflitos da Segunda Guerra Mundial? Que o bloco da Axé Music de mesmo nome tem essa nomenclatura justamente por conta da estrada, onde amigos se reuniam para fazer festa aos finais de semana? E a relação da misteriosa Pedra do Buraco da Onça com o Candomblé? A especulação imobiliária das grandes construtoras, o projeto Bicho da Cana, que busca fazer deste mundo um lugar mais habitável e para mais gentes...

Esta gurizada se esforçou muito para apurar as informações que coletaram e para lidar com a dificuldade de ter que trocar o suporte do TCC - que seria um documentário - a três meses da apresentação para a banca. Adversidades quanto a narrativa, linguagem e o texto de uma forma em geral eles praticamente não tiveram, porque escrevem exatamente como falam, ou seja, extremamente bem.

Eu destaco a noite desta quinta-feira porque foi um dos raros momentos em que me senti, de fato, numa academia, em uma casa de pensamento e reflexão. Foi um trabalho digno, engajado politicamente e puramente jornalístico, como bem observaram as grandes mestres Silvana Moura e Márcia Guena.





quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Outras alusões

Já que o assunto desta noite de quarta-feira aqui no blog é a criatividade no jornalismo, alusões e etc e tal, relembro uma comparação que fiz entre o futebol e a ditadura militar, em um artigo para o site oficial do Galícia Esporte Clube. Já que o "azulino da Cruz de Santiago" comemorou neste ano o aniversário de quatro décadas de seu último título, citei o livro "1968: o ano que não terminou", do jornalista e escritor Zuenir Ventura, nos seguintes trechos:

"Num ano conturbado para a política brasileira, em plena ditadura militar e no ecoar dos gritos de liberdade dos movimentos de contra-cultura, um time entrava mais uma vez na história do futebol da Bahia. O Galícia do coração do compositor Tom Zé era, em 1968, a síntese da arte nas quatro linhas, seja em uma defesa fantástica de Dudinha, numa interceptação perfeita de Roberto, um desarme preciso de Josias, uma arrancada fulminante de Nelson ou nos gols de Carlinhos e Valtinho".
"Depois de 1968, o ano que não terminou, como diz o título do livro de Zuenir Ventura, o Galícia chegaria apenas aos vice-campeonatos de 1980 e 1995, além das duas conquistas na segunda divisão (ambas na década de 1980). No entanto, nesta era de tempos difíceis, relembrar e homenagear o passado de glórias serve de alento para o cuidado com o presente e a realização do futuro".

Um novo jornalismo é possível

Foto: Allan Patrick
Eu estava no estágio na manhã desta quarta-feira, 10 de dezembro e precisava redigir um post a respeito de Portugal - o país acaba de assumir a terceira colocação na produção de energias renováveis em toda a Europa. Tinha as principais informações bem na minha frente e poderia ter começado a redigir o texto na hora em que bem entendesse. Não haveria dificuldade alguma. Mas preferi pensar em abrir a notícia de um modo diferente, em minha insana busca por alternativas menos secas que o lead.
Foi então que me lembrei de um fado. Bem, na verdade não era um fado qualquer. Era "Uma casa portuguesa com certeza", composição de autoria dos lusitanos V.M Sequeira, Artur Fonseca e Reinaldo Ferreira, interpretada pela antológica Amália Rodrigues (a "Rainha do Fado"). Pensei: eureca! Não seria esta 'uma conquista portuguesa' com certeza???
Encontrava aí a minha abertura: "É uma conquista portuguesa, com certeza". A adaptação da música imortalizada pela cantora Amália Rodrigues (a "Rainha do Fado") tem seu sentido. É que Portugal já é o terceiro maior produtor de energia elétrica a partir de fontes renováveis em todo o continente europeu. O país só está atrás da Áustria e da Suécia, mas cresce vertiginosamente desde 2006. A energia eólica é a que registrou maior aumento nas terras lusitanas. Foram 9% no primeiro semestre de 2008 em relação ao mesmo período de 2007. E os bons ventos não param de soprar".
Caso eu seguisse o velho e tradicional 'lidão', ficaria assim: "Portugal acaba de ocupar a terceira colocação na produção de energia renovável em toda a Europa. O país só está atrás da Áustria e da Suécia, mas cresce vertiginosamente desde 2006. A energia eólica é que registrou maior aumento nas terras lusitanas. Foram 9% no primeiro semestre de 2008 em relação ao mesmo período de 2007. O objetivo do governo português é aumentar estes índices até 2020".
Leia o texto na íntegra no portal Ecodesenvolvimento
Obs: A chamada para a notícia está na "home": www.ecodesenvolvimento.org.br

Quem sabe faz a hora II

Foi excelente o trabalho de Bernardo Carvalho - coordenador dos cursos de Comunicação Social da UniJorge neste semestre de 2008.2. Ao menos para nós alunos. Ele foi mais do que um gestor de crise. Esteve sempre solícito as nossas reivindicações, intermediou a compra de equipamentos de última qualidade para o laboratório de áudio e vídeo, promoveu a reforma da mesma sala e reativou a Rádio Já.
Como se não bastasse, conseguiu superar com muito trabalho a chamada "herança maldita" deixada pela gestão passada. A última coordenadora havia conseguido a proeza de aprovar uma grade curricular monstruosa para o curso, incluindo cinco disciplinas no oitavo semestre, justamente quando precisamos dedicar o máximo de atenção aos nossos trabalhos de conclusão.
Bernardo Carvalho teve a sensibilidade de rever esta medida descabida. Nos procurou e propôs que assinássemos um termo de responsabilidade, pelo qual concordamos em cursar as tais cinco disciplinas apenas durante o primeiro mês do próximo semestre, passando a nos dedicar exclusivamente aos TCC's a partir do dia 3 de março de 2009. Todos sairão ganhando.
Provas de que é possível intermediar os interesses dos estudantes, dos professores e da direção da instituição sem beneficiar apenas uma das partes. Que bom que o modo truculento e ditatorial de se coordenar o curso de Comunicação da UniJorge parece página virada.
Pseudo-educadores que administram suas gestões sob a vestimenta das ameaças aos alunos deveriam ter a humildade de aprender essas lições. Pessoas com desequilíbrio psicológico não poderiam ocupar esses cargos. Precisam de tratamento.
Parabéns, Bernardo Carvalho.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Quem sabe faz a hora

Acabo de chegar da UniJorge. O curioso é que mesmo em férias, não consigo sair de lá... Mas foi por uma boa causa: fui prestigiar os trabalhos de conclusão de curso dos formandos do curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo. Ao mesmo tempo, dou mais um passo importante quanto a preparação de meu próprio TCC, que será defendido em parceria com o meu colega Alex Jordan em julho de 2009.
Pelo o que vi na noite desta terça-feira, 9 de dezembro, o monstro não é tão feio quanto aparenta. Estavam lá um professor/jornalista da própria UniJorge, um professor/jornalista convidado e o orientador das bancas, além de aproximadamente 20 colegas.
Seguindo a tendência de nossa sociedade cada vez mais 'imagética', foram duas bancas referentes à documentários: o primeiro tratou do tema: "Amor na Terceira Idade"; enquanto o posterior retratou o fanatismo do torcedor do Esporte Clube Bahia em: "Paixão: torcedor do Bahia".
Ambos os trabalhos produziram boas imagens e sonoras, mas pecaram em alguns detalhes importantes deste mundo acadêmico, como por exemplo a elaboração dos memoriais. Erros ortográficos e de padronização. Falhas estruturais e incoerência em relação ao produto final, enfim.
Ao final, o momento tão esperado, a hora do famoso friozinho na barriga. Observações críticas destiladas, chegou a vez das avaliações: os dois trabalhos foram aprovados. O primeiro com nota 9, o segundo com 8,5. Muita festa dos formandos, cumprimentos de todos e adeus tia Chica: eis os jornalistas!
Irei acompanhar todas as outras bancas no decorrer desta semana. Quero saber o quê os mestres avaliam e como avaliam. Desejo observar ao máximo, como sempre fiz, para que o meu trabalho final de graduação seja condizente com o meu histórico de atuação durante os quatro anos que me dediquei para alcançar este, que considero mais um degrau importante da escada que pretendo galgar.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Uh, sai do chão, o leão tá fumadão...



Que os estádios de futebol são locais onde ocorre o consumo massivo de drogas (principalmente maconha) todo o mundo sabe - inclusive a polícia.

Reparem nas primeiras cenas deste vídeo. O torcedor do Vitória de camisa regata preta, no canto esquerdo da tela aparece em rede nacional preparando um baseadão de dar inveja a muitos seguidores de Bob Marley...

Em campo, os jogadores de Vitória x Palmeiras é que pareciam estar doidões, protagonizando um jogo sem gols e emoção no Barradão, em Salvador, há duas semanas.

"Eu vou ficar, ahhhhhhhhh, ficar com certeza, maluco beleza"

O que Madonna tem a ver com o Campeonato Brasileiro?

Foto: David Shankbone



Vai saber... Mas a secretária do São Paulo relacionou o árbitro Wagner Tardelli para ser um dos convidados especiais do show da cantora no Morumbi, no dia 20 de dezembro. O convite foi parar na Federação Paulista de Futebol.
Tem cheiro de pizza podre no ar.

Campeonato manchado

Como eu já havia adiantado anteontem, não seria justamente na partida decisiva entre Goiás x São Paulo, na última rodada do Brasileirão, que a arbitragem comandada por Jaílson de Macedo sairia ilesa, sem cometer ao menos um erro grave. Não quero aqui menosprezar a conquista são-paulina, que é sim merecida, até porque trata-se do clube mais bem estruturado do país nos últimos anos e que teve uma recuperação notável no segundo turno. Mas o que foi aquilo? O atacante Borges foi ilegal, a pelo menos um metro impedido. Nem Macedo, nem o assistente dele que cobriu aquele lado da jogada perceberam???
Tudo bem que caso o gol fosse invalidado, o São Paulo seria campeão do mesmo jeito, afinal, até mesmo o empate lhe servia, mas, cá entre nós, coincidentemente ou não (como diria Caetano) o favorecimento aos paulistas ocorreu 24h depois da interceptção do tal envelope cheio de dinheiro que teria o árbitro Wagner Tardelli - inicialmente escalado para a partida - como destinatário.
Tardelli, que é árbitro da Fifa e tem 20 anos de experiência é um homem honesto e faz parte do que há de melhor na arbitragem brasileira. A Confederação Brasileira de Futebol ficou de esclarecer o ocorrido ainda nesta segunda-feira, 8 de dezembro, pois já enviou o material que tem em mãos ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que deverá instaurar um inquérito para apurar o caso. Já o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo del Nero insinuou que o São Paulo está envolvido com a tentativa de manipulação, o que fez com que o clube do Morumbi ficasse revoltado e pedisse a desfiliação do órgão.
Em tempo: o São Paulo foi beneficiado em pelo menos quatro jogos deste Brasileirão. Alguém já esqueceu, por exemplo, do gol legítimo do Botafogo mal anulado pela arbitragem na partida contra os tricolores? Não esqueçamos que a vantagem do time comandado pelo técnico Murici Ramalho foi de apenas três pontos em relação ao vice-campeão Grêmio.
Vamos esperar o desenrolar desse caso. Espero que essa denúncia não acabe em pizza. A CBF já sabe quem foi que tentou subornar a arbitragem do jogo Goiás x São Paulo. Os culpados deverão ser devidamente punidos. É pelo bem do futebol. O certo é que este campeonato terminou manchado, embora boa parte dos meios de comunicação do Sudeste estejam fazendo de contas que nada aconteceu, ao som de orquestra sinfônica e tudo...

Sacaneando


O Departamento de Marketing do Internacional lançou uma camisa promocional logo depois que o time sagrou-se campeão da Copa Sul-Americana. Nela, temos a inscrição: "Inter - o campeão de tudo", uma referência ao fato de que o colorado gaúcho faturou todos os títulos disponíveis em que disputa nos últimos anos.
Como o arqui-rival Grêmio não ganhou um único campeonato em 2008, alguns torcedores do Inter fizeram a sacanagem de contratar um avião para sobrevoar o estádio Olímpico, neste domingo, 7 de dezembro, logo depois da confirmação do título brasileiro do São Paulo e do vice do Grêmio. Sabe o que estava inscrito na faixa anexada ao monomotor? "Grêmio - o campeão de nada"...
Fazer o quê? A sacanagem também faz parte do futebol. Imaginem o que os vascaínos estão sofrendo com os torcedores do Flamengo após a queda para a Segundona...

A Globo e os seus bairrismos


A Rede Globo de Televisão exagera na hora de puxar o saco dos clubes de futebol de São Paulo e do Rio. Que palhaçada foi aquela de domingo, 7 de dezembro? Exibiram até uma gravação com uma orquestra no momento em que o São Paulo estava sendo campeão brasileiro, tocando o hino do clube do Morumbi. Detalhe: repetiu a produção/puxa-saquista várias vezes! Putz!

Na semana passada o Internacional tornou-se o primeiro clube brasileiro a vencer a Copa Sul-Americana, uma competição continental, mas daí é lógico que a vênus platinada não armou essa papagaiada toda, afinal, o Inter é de Porto Alegre, se fosse de Sampa ou do Rio...

E durante a comemoração do título inédito do colorado para o futebol brasileiro, o "Chatão Bueno" ainda encontrou espaço para criticar Edinho, o capitão do Inter, pelo simples fato de que ele não estava com a camisa do Internacional na hora de levantar a taça, pois havia trocado ela com um jogador argentino do Estudiantes.

A Globo fede.

É D'Oxum



A cantora maranhense Rita Ribeiro interpreta "É D'Oxum", composição de autoria do baiano Gerônimo.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Das férias!!!

Entrei em férias na faculdade. Depois de um semestre inteiro de estudos, trabalhos, avaliações e alguma dor de cabeça, gozarei de um relativo descanso até o dia 2 de fevereiro de 2009. Teoricamente terei mais tempo para o blog e as outras atividades que tenho desenvolvido. Meu Trabalho de Conclusão de Curso em parceria com Alex Jordan (colunista deste espaço) está bem encaminhado - o livro já conta com agradecimentos, dedicatória e outras coisinhas mais - e será concluído em julho do próximo ano, quando me formo jornalista.
Quero oferecer um conteúdo de qualidade para vocês nos próximos dias e passar alguns deles mergulhando na Ilha dos Frades - onde pretendo morar em um dia não muito distante.
Eu mereço!

Um manto de suspeita sobre o Brasileirão


Quando os árbitros de Goiás x São Paulo e Grêmio x Atlético-MG encerrarem esses jogos por volta das 18h (horário de Brasília) deste domingo, 7 de dezembro, não tenha dúvida: será uma choradeira só do lado perdedor. E olhem que o motivo do pranto não será apenas pelo fato de que uma das partes - São Paulo ou Grêmio - sairá derrotada e sem o sonhado caneco do Campeonato Brasileiro.
É que jornalistas da Sportv souberam neste sábado, 6, da existência de um certo envelope recheado de dinheiro que teria o árbitro Wagner Tardelli, que apitaria Goiás x São Paulo, como destinatário. O presentinho já foi interceptado (sei lá como) pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que ainda não esclareceu o caso, embora tenha prometido apurá-lo e prestar um parecer na próxima segunda-feira.
Em nota, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira declarou que Tardelli não será mais o árbitro de Goiás x São Paulo, com o intuito de que ele seja preservado. Ao mesmo tempo, o manda-chuvas do órgão manifestou que a atitude não deve ser encarada como um indício de suspeita sobre o juiz.
O curioso de todo este embróglio as vésperas do domingo decisivo da competição foi o sorteio feito as pressas para a definição do árbitro que substituirá Tardelli no comando de Goiás x São Paulo. Foram indicados dois árbitros que acumulam erros grotescos em suas carreiras, visivelmente despreparados para um jogo que pode decidir o campeão brasileiro deste ano: Djalma Beltrami e Jaílson Macedo.
Macedo ganhou o sorteio. Ele, me lembro bem, não teve sequer a capacidade de apitar Galícia x Guanambi pela segunda divisão do Campeonato Baiano em 2007. Fez uma verdadeira lambança: inventou um pênalti, exagerou em expulsões e precisou sair escoltado pela Polícia Militar. Não tem condição alguma.
E agora, para completar, irá trabalhar neste domingo com uma imensa pressão na cabeça, por causa desta denúncia de manipulação em torno de uma competição que tinha tudo para acabar bem.
Mas que não acabará.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

"A festa acabou"


A grande dama da rádio-novela gaúcha
Eu relia há pouco uma saborosa entrevista que estudantes da PUC-RS fizeram com a minha tia-avó, Lolita Alves, um dos maiores nomes da rádio-novela do Rio Grande do Sul nas décadas de 40, 50 e 60. Ela foi realizada em 2004, quando a minha estimada "Didi" (como me acostumei a chamá-la desde à infância) estava com 77 anos. Nos tempos áureos do rádio, não existia a televisão, mas as narrativas novelescas não deixavam de fazer parte do imaginário do povo por esta razão. Era uma verdadeira febre e os artistas/radialistas eram venerados.
Cresci ouvindo Didi me contando essas histórias. Ela tinha os maiores salários das rádios Farroupilha e Gaúcha - pioneiras no Brasil e até hoje grandes potências do rádiojornalismo -, onde trabalhou trinta anos. Era reconhecida por nomes como Maurício Sirotski Sobrinho e Mário Ornes por conta da maestria ao interpretar vilãs memoráveis como a Negra Velha de Senzala e a traficante Marina da polêmica e revolucionária rádio-novela intitulada Maconha. "Eu não comparecia aos prêmios em que era indicada como melhor atriz coadjuvante, porque achava injusto. A premiação principal ia sempre para as atrizes que faziam o papel de mocinha, que era fácil demais. Difícil era ser vilã...", me confidenciava.
Ao término desta entrevista que eu cito aqui neste post, o estudante pediu a tia Lolita que ela declamasse um poema, algo que sempre costumava fazer ao aproveitar sua dicção impecável e timbre de voz mavioso. Detalhe: sem esquecer ou trocar um único verso, seja de Gibran, Quintana ou Bandeira, mesmo depois dos 70 anos. E ela encerrou a conversa assim: "Então, vamos finalizar com a poesia de Carlos Drummond de Andrade, José.
“E agora, José? A festa acabou”.
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Soube há poucas horas que minha tia Lolita morreu em Porto Alegre. Aos 81 anos, depois de tantas batalhas vencidas ela perdeu a luta contra uma pneumonia, somada a insuficiência cardíaca. Ela morava na Casa do Artista Rio-Grandense, no bairro Glória. Tive a felicidade de conseguir revê-la, pela última vez, em dezembro de 2007, numa visita que fiz questão de fazer. Ela me parecia muito bem, me presenteou com vários livros e nós conversamos durante horas. Recordo que me disse: - Sérgio Murilo, a tia te ama muito, mas sente que está cansada demais, na hora de descansar. Me dê um abraço porque não te verei mais.
E pela enésima vez eu rebatia, brincando: - Que nada! A senhora diz isso há muito tempo! Tem mais saúde do que eu. Eu te verei ainda por muito tempo.
É uma grande perda para todo o estado do Rio Grande do Sul.
Mas, por outro lado, estou certo de que ela viveu muito e intensamente. É uma grande estrela de luz.
Por ora, falta áudio aos microfones e pessoas no auditório. O som se cala, em sinal de respeito mudo.
A festa acabou.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Está valendo! Portal EcoDesenvolvimento entra no ar nesta quarta-feira


Hélio Samuel, Priscila Letieres ,Murilo Gitel, Clara Corrêa, Jeferson Lelis, Fábio Góis, Ines Carvalho, Isaac Edington, Tereza Athayde.

Prezados leitores,
esta quarta-feira, 26/11 é um dia muito importante, porque marca o lançamento do portal EcoDesenvolvimento na internet. A proposta é oferecer à sociedade um completo veículo de comunicação on line que apresenta os mais diversos temas e conteúdos relacionados à sustentabilidade, tudo em um só lugar. Através de uma rede de colaboração no Brasil e exterior, o portal disponibiliza notícias, vídeos, podcasts, foruns, biblioteca e muito mais, além de uma ampla variedade de documentos e fontes de pesquisa, tudo para facilitar o acesso a informações que contribuam para a conscientização da sociedade em prol de um modo de vida sustentável.
A iniciativa é do Instituto EcoD, presidido por Isaac Edington, que trabalhou cerca de 20 anos na TV Bahia, e que tem o jornalista Fábio Góis como editor responsável, além de Inês Carvalho na área de Relações Institucionais.
O nosso desafio é oferecer informação de qualidade para os internautas, a fim de que eles possam transformar suas vidas para melhor ao entrarem em contato com o nosso trabalho.
Aqui, é jornalismo científico puro, mas tratado com uma linguagem jovial e clara.
Nós estamos dispostos a provar que, em jornalismo, nem sempre "as más notícias é que são as 'boas' notícias".
Portanto, a partir das 20h desta quarta-feira está valendo: é um jeito diferente de se fazer jornalismo no ar!
Leia mais
Repercussão em A Tarde

sábado, 22 de novembro de 2008

Humilde: Alex Jordan, colunista deste blog, pede "perdão" pela demora do texto... Perdoem o cara aí, galera!

Arte gráfica: Zeca de Souza


O cronista irreverente

Por Alex Jordan* [alexjordan341@hotmail.com]

Perdão! Não vejo outra maneira mais apropriada para iniciar este texto. É certo que as últimas semanas foram turbulentas, mas esse não foi o único motivo pelo qual fiquei esse tempo sem colocar uma vírgula sequer aqui. Uma indecisão sobre o que merecia virar texto se prorrogou por todo esse tempo.

Nesse período, muitas coisas aconteceram. Uma dor de barriga resultante de uma “ajuda” que dei, um convite para sair onde a figura levou o namorado, questões de reflexão, enfim, tinha muito sobre o que escrever. Este início de texto, por exemplo, já mudei dezenas de vezes.

O pior é que ainda não sei sobre o que escrever. Enquanto isso, o texto fica com cara de enrolação, mas, acreditem: essa não é essa a minha intenção... Pronto! Vou tentar me lembrar de situações que passei por esquecer algum detalhe ou coisa importante. Com certeza, foram muitas vezes. Verei se desta vez a minha memória resolve ajudar.

A primeira que me veio à mente foi o dia em que fiquei sozinho e tive que me virar na cozinha (se isso fosse um filme estaria passando agora um flashback). Achei que o bife estava mal passado e fui deixando no fogo. O resultado disso é que virei o “caçador de urubu do Atelier (local onde trabalho)”.

Agora, a cena se passa há quase 20 anos (nada de atrás, seria redundante). Eu, “distraído para a morte” como diria o canto do compositor pernambucano Otto - não sabe quem é? Já ouviu o grande hit Bob? Qualquer um que assistia MTV em 97, 98 lembra do “Ela é do tempo do Bob, é lá do pina de Copacabana...” – mas vamos voltar, antes que eu esqueça do que escrevia. Eu, guri, estava em um Caravan e esqueci o dedo próximo a porta. Quando meu tio percebeu que a porta estava aberta fechou-a e levei um aperto no dedo. Não sei como não perdi o dedo. Quem sabe eu não poderia com quatro dedos me tornar presidente? Piada estúpida, mas falar em menos um dedo e não lembrar de Lula... O curioso é que essa associação deveria ser com tentáculos. Desisto! Melhor esquecer que fiz essas piadas. Próxima!

Fiz um curso pré-vestibular em Abaeté. Lá, fiz algumas amizades. Sou campeão em falar o que não deve e é claro que nesse ambiente não seria diferente. Das amizades que construí, duas besteiras que falei em menos de cinco minutos infelizmente não saíram de minha memória. A primeira foi que conversando com um amigo, diaparei: “mas cavalo dado não se olha os dentes”. Até ai nada mal, não fosse o fato de que lhe faltava dois dentes da frente. Quando percebi, vi um grupo segurando o riso e foi toda aquela situação vexatória. Tentei mudar o rumo da prosa, falei do quanto perigoso era aquele caminho e alguém citou que se ao menos tivesse um policial o caminho seria mais seguro. Cai na asneira de falar mal de policial. Depois de um discurso inflamado, nem percebi os diversos sinais que várias pessoas faziam. Quando me dei conta, lembrei que uma das presentes era casada com um policial. Consegui a proeza de piorar as coisas. Emudeci.

Tem outras histórias que marcam a minha amnésia como a de esquecer de recados, de nomes de entrevistados, datas de entrega de trabalho, pagamentos, ligações e até troco em caixa de supermercado (felizmente a quantia era bem pequena...) A última mancada que minha memória pregou foi esquecer que 21/10, era uma data importante. Fica os parabéns com quase um mês de atraso a um verdadeiro amigo. Não vou citar o nome para não parecer rasgação de seda. Mais é uma pessoa que justifica a existência da palavra amizade.
*Alex Jordan é estudante do sétimo semestre de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo na Unijorge, onde também é estagiário do Atelier de Comunicação, em Salvador-BA. É colaborador deste blog desde 2007.

Eu viajei à 20 quilômetros por hora no Barra 1

Foto: Silmaraelis

Cobrador só chegou ao ao ônibus no meio do trajeto...
"Pense num absurdo. Na Bahia tem precedente". A frase mais emblemática do ex-governador baiano Octávio Mangabeira é o maior clichê do mundo, eu sei, até porque, as circunstâncias do inusitado por aqui nos impedem de recorrer a um pensamento que tenha sido mais criativo e certeiro.
Eu sei que é difícil, mas, por favor: façam um esforço para acreditar no fato que ocorreu comigo na manhã deste sábado, 22/11. Entrei num Barra 1, que vem da Estação Mussurunga, na Av. Paralela, próximo a Unijorge, pois precisava descer no ponto do Detran, para atravessar a passarela e seguir até a Santiago de Compostela, onde trabalho na Assessoria de Comunicação do Galícia. Até aí nada demais.
Ocorre que não havia cobrador do ônibus. Falando sério. O motorista estava lá, na dele. Havia cerca de 45 pessoas no coletivo, mas, ninguém para cobrar a tarifa. Pensei: que maravilha! Seria este sábado o dia escolhido para o "milagre do passe-livre de Salvador?"
E a minha desconfiança de que algo estava errado persistia. A cada parada, mais pessoas entravam no ônibus e faziam a mesma pergunta: - Cadê o cobrador?
Imaginem que o motorista só foi se dar conta de que o ônibus estava sem cobrador quando o veículo já estava perto do Correio: "Oxe! O cobrador não tá aí não?", perguntou, numa espécie de momento zen/não estou nem neste mundo/Gilberto Giliano/.
Foi isso mesmo. Ele não percebeu que havia saído da Estação Mussurunga sem o cobrador! Depois da mais que atrasada constatação, com o carro em movimento, ele passou a telefonar desesperadamente para o colega. Quer saber o que o colega disse a ele?
- Peraí, véi, que eu já tô saindo de casa.
Pasmem. O cobrador deveria estar dentro do ônibus, a partir do ponto de origem (Estação Mussurunga), às 10h20. Eram 10h45 e ele estava saindo de casa para ir para o "trabalho". Vocês acreditam nisso?
Mas o pior ainda está por vir. O motorista passou a andar a 20 quilômetros por hora, sabe para quê? Para que desse tempo de um outro ônibus sair da Estação Mussurunga para trazer o cobrador para o seu posto. Sim, mas e as pessoas? O que elas tem a ver com esse cúmulo de incompetência, falta de compromisso com o usuário do transporte coletivo e bizarra trapalhada???
Começou a confusão. Era gente ligando para a empresa para denunciar o absurdo, gente xingando a mãe do motorista e a mulher do cobrador, gente dando gargalhada, tinha de tudo! E o ônibus a 20 por hora na Av. Paralela...
Quando chegamos, enfim, a região da Madeireira Brotas, eis que gritaram do lado de fora para o motorista esperar, porque, o cobrador havia chegado! Imaginem a cena. Ele atravessou as duas pistas em menos de 15 segundos, esbaforido, sendo xingado e humilhado de todas as formas possíveis. Aos risos, assumiu sua cadeira, às 11h...
Sinceramente, foram raros os momentos em que cogitei encher os dois trapalhões de desaforos, ameaçar chamar a imprensa, denunciar o ocorrido ou coisa assim. Eu estava me cagando de tanto rir com tamanho absurdo. Foi algo inimaginável, inusitado, surreal.
Foi mesmo? Não Murilo, não foi, afinal, já dizia o profeta Mangabeira...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Mais do grande encontro: João Bosco e Flávio Venturini

João Bosco interpreta uma de suas obras-primas, "Corsário".



Flávio Venturini e a poesia de "Nascente", que já ganhou participação especial de Ed Motta. A composição foi feita em parceria com Murilo Antunes.


Flávio Venturini e João Bosco - dois gênios da Música Popular Brasileira - se apresentam juntos, na noite deste sábado, 22/11, a partir das 21h, no Cais Dourado, Av. Jequitaia, Calçada, Salvador-BA. Os ingressos podem ser adquiridos na Ticket Mix do Shopping Iguatemi. Pista: R$ 40 e Camarote Open Bar: R$ 80.

Se este tem tudo para ser o grande encontro do ano em Salvador, logo, com a permissão do silogismo, ele é imperdível!

Um espião na Toca

Foto: Teteu Moraes

Gosto muito de você/leãozinho...

A vida nos revela momentos muito curiosos. Imaginem que irei trabalhar neste domingo, 23/11, na beira do gramado do estádio Manoel Barradas (Barradão), cobrindo a estréia do Galícia (contra o Vitória) no Campeonato Baiano 2008/2009 para o site oficial do clube. Até aí nada demais, eu sei...

Ocorre que quis o destino que esta partida fosse a preliminar de Vitória x Grêmio, jogo válido pela Série A do Campeonato Brasileiro, às 16h (horário da Bahia). Logo, é evidente que eu irei permanecer por lá, a fim de secar o maior rival do Inter mais de perto.

É o único dia do ano que torço para o Vitória... Como bom colorado que sou, não quero que o Grêmio seja campeão brasileiro. Se a rivalidade me permitisse, diria até que torceria para o tricolor gaúcho, porque tamanho título seria bom para o futebol do Rio Grande do Sul, que, aliás, vive um grande momento, já que o Internacional está na final da Copa Sul-Americana. Mas, francamente, a rivalidade não me permite...

Alô, meu conterrâneo Vágner Mancini - técnico do Vitória -, estarei no Barradão para oferecer informações sobre o Grêmio, hein?

Ah, é evidente que depois irei para as arquibancadas, com a minha camisa do Inter, a fim de me juntar aos rubro-negros e colorados de Salvador, afinal, toda a secação é bem-vinda.

Leão: pegue eles leão! Pegue eles!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Dunga: o anão insensível


O técnico da Seleção Brasileira, Dunga, também é anão em mentalidade. Confesso que estou p... da vida com ele, ao ponto de torcer para que Portugal estrague a festa do arremedo de time que ele treina, em amistoso às 22h desta quarta-feira, 19/11, em Brasília.
Qual seria o motivo de minha ira? A convocação desnecessária do meia Alex, do Internacional. Vale lembrar que também logo mais à noite, o Inter representará o Brasil no jogo de volta das semifinais da Copa Sul-Americana, contra o Chivas Guadalajara-MEX, no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre. Se passar desta etapa, o alvi-rubro gaúcho representará o país na final desta competição - que, aliás, ainda não teve sequer um único campeão de terras tupiniquins desde que foi criada.
Em suma, Dunga desconsiderou a importância desta decisão para o Internacional, ao convocar Alex, seu melhor jogador, o mais diferenciado, aquele que pode decidir o jogo a qualwuer instante, num piscar de olhos. De nada adiantaram as solicitações dos dirigentes do Internacional, os argumentos, enfim. A Confederação Brasileira de Futebol não liberou o atleta para servir ao seu clube neste momento tão importante.
Detalhe 1: a partida da seleção é amistosa, não vale três pontos, não vale título, não vale p... nenhuma.
Detalhe 2: Alex é reserva de Elano no time de Dunga. Não começará jogando. Provavelmente, jogará os 15 minutos finais, quando as vaias dos torcedores de Brasília já soarão como notícia em todo o mundo, afinal, não esqueçamos: Dunga também é anão em mentalidade.
O técnico da seleção não manda em nada na CBF, é verdade. Mas ele sequer moveu uma palha para tentar influenciar os dirigentes da instituição desportiva. Ele ficou em cima do muro. Afirmou que não dependia dele e que a seleção também tem seus interesses.
Dunga está sendo ingrato com o clube que o revelou. Esquece que deve tudo o que é ao Internacional e a sua apaixonada torcida. Falta com o bom senso ao convocar Alex, o jogador mais importante do Inter, para ficar no banco de reservas em uma partida que não levará a seleção para lugar algum, enquanto o colorado busca uma vaga na final de uma competição continental.
Mas o Inter, penso eu, é muito maior que isso e irá chegar lá com ou sem Alex, com ou sem o bom senso de Dunga.
Eu já não posso dizer o mesmo da seleção de Dunga, que, só para que não esqueçamos: também é anão em mentalidade.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Dallegrave, símbolo do coloradismo, morre em Porto Alegre

Foto: Dulce Helfer, Banco de Dados - 17/08/2006


Dallegrave exibe a medalha de campeão da América, em 2006.
Eu tinha apenas 16 anos, era uma tarde de muito calor em Porto Alegre. Uma tarde mais especial que as demais, diga-se de passagem, porque Arthur Dallegrave aceitara me receber, para uma entrevista que serviria, a princípio, para um trabalho de escola. Eu nem sabia que serviria para toda a minha vida.
O homem que participou durante meio século da vida política do Sport Club Internacional, estava ali, na minha frente, na cantina Celeiro de Ases, que fica até hoje no complexo do estádio Beira-Rio. Me oferecia refrigerante antes da conversa, mas eu só queria ouvi-lo, registrar aquele momento único, nada mais.
Aquele senhor simpático, de cabelo grisalho, enchia os olhos para comentar a respeito do projeto Genoma Colorado. Ele sempre foi um apaixonado pelas categorias de base do clube. "A intenção é semear o coloradismo", dissera.
Ao final, meu conhecimento precoce a respeito do Inter fez com que o então vice-presidente do Departamento de Futebol me presenteasse com uma revista do colorado. Lembro-me como se fosse hoje.
Arthur Dallegrave foi conselheiro do Internacional aos 20 anos de idade, nos anos 50. Nessa mesma época, assistiu aos jogos da Copa do Mundo do Brasil, no estádio dos Eucaliptos.
Entre 1975 e 1976, quando o clube foi bicampeão brasileiro, comandou o Departamento de Futebol, na gestão de Frederico Arnaldo Balvé. Foi presidente no biênio 1982-1983, sagrando-se campeão gaúcho. Em 2001, tomou uma das decisões mais felizes em relação a política do clube, convidando Fernando Carvalho para concorrer à presidência, sendo eleito vice na mesma chapa.
Nascia ali a parceria responsável pela administração colorada no ano de 2006, quando o Internacional conquistou a Libertadores da América e o Campeonato Mundial Interclubes - os dois títulos mais importantes da história do colorado gaúcho.
Atualmente, Arthur Dallegrave era presidente da Comissão do Centenário.
O ex-jogador do Inter e comentarista da TV Globo Paulo Roberto Falcão, lamentou a morte do amigo há poucas horas: "Ele merecia estar no centenário do clube", lamentou.
Dallegrave morreu na tarde desta segunda-feira, 17/11, em Porto Alegre, depois de ter sofrido três paradas cardíacas. Ele será velado às 23h, na Capela Nossa Senhora da Vitória, no estádio Beira-Rio.
Com certeza, ele estará presente no centenário do Internacional, de alguma forma.
E o coloradismo permanecerá sendo semeado.
Descanse em paz, colorado velho!

sábado, 15 de novembro de 2008

Tons do Caos - ouça a crônica no podcast de Alex Jordan e Murilo Gitel


Caetano e Gil, expoentes da Tropicália, lutaram muito contra à censura.

Esta crônica/podcast foi feita por Alex Jordan (colunista aqui do blog) e o blogueiro, para a disciplina Atelier de Novas Mídias, do sétimo semestre de Jornalismo, na Unijorge.


Este trabalho publicado em áudio tem o objetivo de retratar a relação da Música Popular Brasileira com a Ditadura Militar do pós-golpe de 1964.


quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Vila Santa, Unijorge e a falta de responsabilidade social

Estive há poucos minutos na Vila Santa, uma invasão que existe há 40 anos, desde que a sua fundadora, Dona Santa, hoje com 81 anos, chegou no local com o marido e os filhos. Atualmente, o lugar caminha para virar bairro. Pelo menos 400 pessoas moram por lá, o número de construção de casas tem aumentado significamente, há dois bares, embora ainda falte um mini-mercado e a tendência aponta para uma expansão.
Mas muitas coisas faltam na Vila Santa.
A localidade, que curiosamente está ao lado da Unijorge - uma Instituição de Ensino Superior dotada de um considerável mercado entre as IES privadas-, com cerca de 11 mil estudantes, a maioria de classe média, que pagam em média R$ 700 mensais, tem uma única via de acesso, uma espécie de labirinto, dividido justamente pela cerca de um dos estacionamentos do centro universitário.
Defronte à vila, há uma lagoa cercada de mato, muito mato... Quando chove, a lagoa ultrapassa a altura do mato, provocando pequenas enchentes, que invadem boa parte das casas. Detalhe: segundo Dona Santa e os demais moradores, a lagoa é habitada por famílias inteiras de jacarés, sucuris, ratos e, é claro, as singelas e abundantes muriçocas, afinal, mato que é mato, tem de ter muitas muriçocas, nada mais natural.
Mas a colega Michelle Brazil e eu ficamos intrigados mesmo com uma informação de uma das moradoras do local: imaginem que o esgoto da Unijorge vai dar justamente aonde? Sim, na Vila Santa, mais precisamente, em um terreno onde estão duas casas e mora uma criança de colo. O esgoto está a céu aberto e é despejado no pátio dessas famílias. O odor, talvez não fosse necessário dizer, é insuportável e a podridão dos dejetos jogados ali tem causado doenças, como infecções.
Eu sempre tive curiosidade sobre a Vila Santa. Passava direto pela Paralela, olhava para aquele lugar e ficava pensando: como é que as pessoas de lá sobrevivem? Encorajei Michelle a me acompanhar para passar a tarde desta quarta-feira conversando com os moradores daquele local quase que inacessível. Criado em um bairro suburbano, sempre soube que não devemos acreditar nos estereótipos, e que, geralmente há mais honestidade e beleza em lugares como este, do que nos apartamentos de luxo da Pituba, da Graça ou de Vilas do Atlântico.
Poucas vezes fomos tão bem recebidos. Percebemos que a carência maior daquelas pessoas não é por cestas básicas, materiais de construção, legalização da água potável ou criação de vias de acesso menos humilhantes. Eles são carentes de calor humano, gente que aceite sentar alguns minutos num daqueles banquinhos de madeira, tomar um cafezinho preto com eles para ouvi-los, simplesmente, unicamente, ouvi-los.
Mas eu estou muito incomodado com a Unijorge, onde, aliás, estudo. Não nego e jamais vou esquecer que todas as portas para o meu presente e futuro profissional foram abertas aqui, nesta academia. Agora, isso não me impede de atentar para algumas coisas que não deveriam acontecer. Cadê a responsabilidade social da Unijorge? Este centro universitário não se gaba tanto de ter uma parceria com uma instituição norte-americana conceituada, que investe aqui dentro? Será que a Unijorge não deveria auxiliar mais esta comunidade vizinha, em vez de prejudicá-la, como está fazendo? Por que os estudantes da área de saúde não fazem projetos para ajudar essas pessoas? E os engravatados do Direito, estão estudando leis que atendem a quais interesses? E os de jornalismo, onde estão? Por que têm medo de entrar na Vila Santa? Preferem eles as salas refrigeradas com ar-condicionado e cadeiras estufadas?
Eu gostaria de ter algumas dessas respostas. Vou ainda hoje a Ouvidoria da Unijorge denunciar o que vi. Se nenhuma providência for tomada, irei entrar com uma queixa-denúncia no Ministério Público Estadual (MPE) nos próximos dias, vou fazer de tudo para mobilizar os meios de comunicação, enfim, vou fazer alguma coisa.
Alguém precisa explicar essas coisas que todo o mundo finge que não vê.